Cobre é considerado o “novo petróleo” na economia verde

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O cobre foi provavelmente o primeiro metal minerado e trabalhado pelo homem.  Acredita-se que foi descoberto por volta de 9000 a.C, no Oriente Médio, e seu emprego possibilitou um progresso para as civilizações mais antigas, que evoluíram da idade da pedra para a do bronze (liga metálica entre cobre e estanho). 

Pilar da velha economia, o cobre também desempenha um papel crucial na nova economia verde. Você sabia que os cabos feitos do metal ainda são o meio mais econômico de transmitir eletricidade de fontes solares e eólicas? Ele ainda é um material fundamental em estações de recarga e nos veículos elétricos. Segundo analistas do Goldman Sachs, “não há descarbonização sem cobre”, que eles chamam de “o novo petróleo”.

A expectativa é que com a demanda de energia verde, na década atual, a procura pelo cobre aumentará em cinco vezes, levando-o a uma escassez significativa, prevista para começar nos meados da década de 2020, de acordo com um relatório de Nicholas Snowdon, analista de commodities do Goldman. Nicholas vê o cobre atingindo US$ 6,80 em 2025 (perto de US$ 15 mil a tonelada). O estrategista de commodities do Bank of America, Michael Widmer, acha que o preço pode chegar a US$ 6,00 neste ano. O metal iniciou o ano valendo cerca de US$ 7.918,00 por tonelada e já atingiu US$ 10.724,5, no dia 06 de maio de 2021.

O crescimento da economia verde depende diretamente da produção e fornecimento de metais e minerais como o cobre, lítio, cobalto, nióbio e uma série de outras matérias-primas muito necessárias. Com isso, é possível perceber a importância da mineração ser apoiada e incentivada no Brasil e em outros países, para assegurar uma oferta contínua dos minérios necessários para a economia verde. 

As minas de cobre produzem anualmente cerca de 20 milhões de toneladas de minério concentrado — cerca de 45 bilhões de libras-peso. Chile, Peru e China figuram entre os maiores produtores do minério (dados de 2020) e juntos são responsáveis por 48% da produção mundial. O Brasil é responsável por 7% da produção mundial de minério de cobre. Segundo dados da ANM, em 2020, as minas brasileiras produziram 1,3 milhão de toneladas de minério de cobre. As exportações brasileiras totalizaram cerca de 1,15 milhão de toneladas em 2020, sendo 75% deste volume correspondente ao minério de cobre, e 25% na forma de sulfetos. Cerca de 10% das importações minerais brasileiras em 2020, em dólares, corresponderam a produtos de cobre. 

A demanda relacionada à energia verde, apenas 3% do uso de cobre em 2020, pode chegar a 16% até 2030, estimam os analistas do Goldman.  A China tem um peso enorme na equação, já que é responsável por cerca de metade da demanda mundial. 

Para entender um pouco essa demanda, um veículo elétrico, por exemplo, contém quatro vezes mais, cerca de 80 quilos,  de cobre do que um veículo com motor a combustão interna. As usinas eólicas em terra usam cerca de quatro vezes mais cobre do que as usinas movidas a combustíveis fósseis por megawatt de eletricidade. Os parques eólicos no mar são ainda mais intensivos em cobre, porque precisam de cabos de cobre grossos para transmitir energia para a terra.

Há um número limitado de boas reservas no mundo, e os prazos de entrega para novos projetos podem estender-se de seis a oito anos, devido às análises de licenciamento e ambientais. Mas, acredita-se que com um bom potencial de alta de longo prazo, ainda há tempo para investimentos no setor de cobre. 

*Com informações do Jornal Valor Econômico

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