China está no centro das principais tendências de mineração em 2019

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O escritório global de advocacia White & Case divulgou sua terceira pesquisa anual com integrantes da indústria de mineração. Ao todo, 51 tomadores de decisão da alta administração foram consultados para dar uma ideia de como será 2019. Uma das principais tendências é que a incerteza macro e as tensões geopolíticas que influenciaram a mineração no segundo semestre de 2018 devem continuar, mas a atividade corporativa está dando ao setor a “injeção de ânimo” necessária.

A pesquisa indicou que uma potencial desaceleração econômica na China é a maior preocupação para o setor mineral neste ano, com um terço dos entrevistados chamando-a de maior vento contrário. Outros 20% consideraram a guerra comercial EUA-China como o principal risco.

“Os resultados da nossa pesquisa indicam que o maior impacto das tensões comerciais neste ano será a pressão especulativa sobre os preços das commodities, em vez de qualquer erosão da demanda subjacente pelas commodities duras”, disse a White & Case.

“O ciclo atual deve continuar a ser impulsionado pela demanda, com as mineradoras propensas a continuar a se concentrar em ganhos de produtividade para ter oferta ajustada à demanda, com menos visibilidade do que nos anos anteriores.”

Enquanto apenas cerca de 8% viam o nacionalismo de recursos como um risco maior para o setor, 61% esperavam que a África se tornasse a jurisdição mais arriscada.

A maioria dos entrevistados espera que as principais empresas continuem a ter ativdades de fusão e aquisição (F&A) em segundo plano, com empresas como BHP, Rio Tinto e Glencore mais propensas a continuar a alienar ativos e devolver o excesso de caixa aos acionistas.

“O retorno dos acionistas será a prioridade número um do setor de mineração, de acordo com 31%, seguido de perto pelos ganhos de produtividade, de acordo com 29%”, disse a White & Case.

“Esse é um quadro semelhante ao que nossos entrevistados esperavam no ano passado, quando uma porcentagem semelhante esperava que o retorno dos acionistas fosse o principal objetivo da administração. No entanto, olhando para a pesquisa de 2017, foi a redução da dívida que foi vista como um foco aguçado, mostrando como o setor tem sido bem-sucedido em passar da recuperação do balanço para a compensação de investidores”, diz o documento.

Os balanços fortes levar mineradoras a financiar o crescimento orgânico via caixa, em vez de dívidas ou aumentos de capital, embora dois terços dos entrevistados esperem ver o crescimento dos royalties e dos financiamentos por streaming, um tipo de venda antecipada de metais preciosos.

Embora F&A possa ter uma prioridade baixa para as principais mineradoras diversificadas, 2019 já está mostrando uma continuação da consolidação do setor de ouro com a Newmont Mining e a Goldcorp anunciando uma fusão de US$ 10 bilhões na semana passada.

“É improvável que a tendência termine aí, com a pressão agora sendo colocada em outros produtores, como a Newcrest e a AngloGold [Ashanti], para responder”, disse o relatório. “Tanto a Barrick quanto a Newmont também devem se desfazer de ativos não essenciais após os acordos, deixando minas disponíveis para pequenos produtores”.

Dos pesquisados, 43% viram o setor de ouro como dominante em F&A, comparado a apenas 18% para metais básicos.

Nos metais básicos, 43% dos entrevistados apontaram o cobre como sua principal commodity pelo terceiro ano consecutivo, seguido pelo lítio (22%), enquanto a revolução dos veículos elétricos ganha velocidade.

A White & Case observou que a indústria era quase “universalmente otimista” em relação ao cobre, mas notou como o crescimento seria difícil. Embora a revolução da energia limpa deva impulsionar algumas commodities, ela prejudicará outras, como o carvão.

“Mais da metade dos entrevistados em nossa pesquisa esperam que o carvão seja a commodity mais impactada pelas políticas da China para reduzir a poluição do ar”, disse o relatório.

A White & Case observou que a inovação tecnológica na mineração está começando a melhorar. “Mais de 40% de nossos entrevistados esperam que as pressões de custo sejam o maior impulsionador da inovação contínua no setor”, afirmou.

“É provável que isso acelere quando as mineradoras virem os rivais usando automação, análise de dados ao vivo e cadeias de fornecimento integradas para obter vantagens, forçando-os a seguir o exemplo se quiserem manter posições na curva de custo.”

Em outro trabalho, a Wood Mackenzie (WoodMac) apontou a eletrificação e automação como a principal prioridade para os mineradores neste ano.

“Em 2017, a BHP definiu uma meta de longo prazo para atingir as emissões zero [em atividades de produção] na segunda metade deste século. Em 2018, a Rio Tinto anunciou a implantação bem-sucedida da AutoHaul, criando o maior robô do mundo na rede ferroviária de longa distância da região de Pilbara [na Austrália]”, disse o diretor de pesquisas da WoodMac, Prakash Sharma.

“A questão chave será se outras grandes mineradoras vão seguir essa tendência em 2019”, afirmou. A WoodMac acredita que as pressões crescentes dos investidores, reguladores e consumidores continuarão a empurrar as empresas para a descarbonização de seus ativos.

“O risco de reputação está aumentando para alguns. As estratégias podem ser diferentes, mas todos -upstream, refino, concessionárias de energia, mineração, transporte e montadoras- estão pensando nisso”, disse Sharma.

“As empresas de financiamento e de seguros também estão aprimorando os portfólios para reduzir sua pegada de carbono. Esperamos que mais empresas revelem projetos de transição de energia em 2019”, declarou ele. As informações são da MiningNews.Net, da editora Aspermont, assim como o Notícias de Mineração Brasil.

Fonte: https://www.noticiasdemineracao.com

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