A importância dos semicondutores para o dia a dia

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Antes de explicar o que são os semicondutores e como eles participam do dia a dia, é importante entender o que é condutividade. Esse fenômeno da eletricidade, que atinge especialmente os metais, consiste na capacidade de um material permitir a passagem da corrente elétrica. Condutores têm baixa resistência e passam adiante a corrente elétrica com mais facilidade, enquanto isoladores têm alta resistência e podem bloquear o fluxo de elétrons.

Os semicondutores são matéria-prima para produção de chips usados nos mais diversos aparelhos eletrônicos. 

E qual a importância do semicondutor nesse processo? Essa estrutura cristalina cúbica, geralmente fabricada com silício e germânio, elementos produzidos pela mineração, se encontra entre os dois extremos de uma condutividade elétrica, ou seja, entre a de um condutor e a de um isolador, fazendo a função de intermediário da condutividade. 

Eles são matéria-prima para a produção dos chips usados nos mais diversos aparelhos eletrônicos, como smartphones, videogames, eletrodomésticos e computadores. Além disso, são fundamentais na indústria automobilística e faz parte de vários componentes dos veículos. Para se ter uma ideia, um modelo SUV de médio porte, como o Volkswagen Taos, tem cerca de 300 chips, segundo a fabricante. 

O silício é o segundo elemento mais abundante na superfície da Terra, perdendo somente para o oxigênio. Por que um produto fabricado com material tão disponível na natureza é  disputado no mercado industrial? 

A questão é que os semicondutores são primordiais em diversas tecnologias. São muitas indústrias disputando um componente produzido por poucas empresas, a maioria da Ásia. No último ano, houve um desequilíbrio na oferta devido a vários incidentes que aconteceram na região, como um incêndio em uma das maiores fábricas, no Japão; a falta de chuvas em Taiwan, já que a produção do dispositivo depende de muita água; e claro, a pandemia. 

Atualmente, a indústria automobilística sofre com o desequilíbrio na oferta de semicondutores. Com a pandemia da Covid-19 houve o fechamento de fábricas e a desaceleração da produção de veículos. Com isso, muitas montadoras suspendem encomendas dos semicondutores utilizados na produção. 

Em contrapartida, o avanço do home office e da educação à distância impulsionou a venda de aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares. Então, a produção de semicondutores foi direcionada para esses mercados. 

Um carro moderno pode utilizar até 1.100 semicondutores, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfaeva). Eles são utilizados em várias áreas do veículo como: gerenciamento do motor e do câmbio; controle de consumo e emissão de poluentes; itens de segurança e conectividade. Com a retomada da produção de carros, a demanda pelos componentes por outros setores já estava muito alta. A indústria automobilística deixou de ser prioridade das empresas produtoras de chips e foi para o fim da fila de compra dos semicondutores. 

“Tudo isso gera uma pressão gigantesca. E como é uma indústria muito cara e que tem atualização constante, os fabricantes não produzem, por exemplo, 10 milhões de unidades e deixam armazenadas. Por que? Porque essa tecnologia daqui a dez anos é outra. Então é uma indústria muito estratégica, só que é uma indústria muito complexa também, não é só a gente aumentar o pasto para poder produzir mais vaca, é muito mais complexo do que outros tipos de indústria”, diz John Paul Lima, coordenador dos curso de Engenharia da Fiap em entrevista para o Jornal Nacional, da TV Globo. 

Impacto na produção de carros no Brasil 

A falta do componente está afetando diretamente o funcionamento das fábricas de automóveis, que muitas vezes precisaram parar a sua linha de produção. Neste mês, a Volkswagen anunciou que dará férias coletivas para os trabalhadores de duas fábricas em São Paulo: a de São Bernardo do Campo e a de Taubaté. A estimativa é que cerca de 120 mil veículos deixaram de ser produzidos no país. 

Com a falta de carros novos, o mercado de carros usados cresceu. As vendas do primeiro semestre de 2021 superam as registradas no mesmo período de 2019, antes da pandemia. Tanta procura tem feito o preço dos usados subir muito mais do que os novos, com prazo de entrega comprometido pela falta de componentes. 

Com informações da matéria veiculada no Jornal Nacional

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